Ciúme: saiba como diferenciar o normal do doentio
Não há quem já não tenha sentido ciúme. Embora seja uma emoção perfeitamente normal e compreensível, há casos em que seu aparecimento é excessivo, de modo a caracterizar um distúrbio grave. Entenda:
O que é ciúme?
“Ciúme é um estado emocional provocado pela real ou imaginária falta de exclusividade do sentimento, da dedicação e do cuidado da pessoa de que se gosta”, explica a psicanalista Cristiane M. Maluf Martina.
Ele está diretamente relacionado à falta de confiança em si próprio e consequentemente no outro.
Tipos de ciúmes
Segundo a especialista em saúde mental Darlise Neves, da FioCruz, o neurologista e criador da psicanálise Sigmund Freud fala em níveis de ciúmes: normal; projetivo ou delirante; e Síndrome de Otelo.
O caráter destrutivo varia com grau, frequência e intensidade que é experienciado.
Ciúme normal
O ciúme normal é transitório, ou seja, baseia-se em fatos pontuais que relembram a necessidade do amor exclusivo e o medo da perda. Nesse caso, não há um condicionamento na vida de quem sente.
O ciúme saudável e com limite não atrapalha, controla e nem fere a vida dos envolvidos, pelo contrário, pode até estimular e aproximar o casal.
Ciúme projetivo
Ocorre quando a necessidade de traição de alguém é projetada, fazendo com que se deseje a mesma pessoa que se aponta como rival.
Ciúme delirante
Nesse caso, há delírio constante de traição. Os afetados ficam tão obcecados com a ideia de infidelidade que fazem de tudo para encontrar provas que provem que sua desconfiança é real.
Quem tem esta compulsão geralmente interrompe a vida em função de investigar o parceiro.
Síndrome de Otelo
Se trata de um distúrbio caracterizado por pensamentos delirantes de ciúme, o qual pode ser parte de um transtorno crônico ou paranoia, assim como também pode indicar alcoolismo crônico ou demência por deterioração do córtex cerebral.
Ciúme patológico: quando se torna doença
Tudo que é além do limite é patológico, ou seja, se torna doença, portanto o ciúme doentio acontece quando a desconfiança passa a ser exagerada e perigosa, adotando assim um caráter obsessivo.
A pessoa começa a ficar profundamente transtornada, desconfia de tudo e persegue o outro porque não aguenta a sensação brutal de que está sendo enganada, o que envolve riscos de atitudes passionais e destrutivas.
Nesta classificação, encontram-se os níveis projetivo, delirante e síndrome de Otelo.
Sintomas de ciúme doentio
Insônia e agitação
Mal-estar físico
Falta de apetite
Paranoia
Violação da privacidade do outro
Sentimento de desconfiança constante, solidão e tristeza
Dificuldade em se concentrar em atividades normais da rotina
Costume de telefonar ou mandar mensagens várias vezes ao dia para monitorar o parceiro
Atitudes agressivas e violentas
Hábito de ameaçar o parceiro ou apelar para chantagem emocional
Depressão (em casos extremos, pode-se chegar ao homicídio ou suicídio)
Como controlar?
Segundo a psicanalista Cristiane, a maneira correta de lidar com o ciúme é trabalhar autoestima, insegurança e medos, além de interiorizar que “Ninguém perde o que não tem” e “Ninguém é dono de ninguém”.
Assim, pode-se entender que somos impotentes perante o outro e que, muitas vezes, o ciúme é motivado por extrema carência e insegurança.
Tratamento psicoterapêutico
O tratamento mais indicado é a psicoterapia, em que, por meio do autoconhecimento, o indivíduo aprende a lidar com seus limites e se valorizar em primeiro lugar.
Contudo, em casos nos quais o sentimento se tornou patológico é necessário acompanhamento psiquiátrico em conjunto com o psicoterápico para reduzir paranoia e pensamentos obsessivos.





